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Gambiarras – Josep Domènech Ponsatí

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Nem sei ao certo quando Josep Domènech Ponsatí apontou no meu universo, na linha do meu horizonte me traduzindo com esmero. Parecia que aquilo era uma entranha do meu poema, ou melhor: uma variação. Agora, a luz puxada das gambiarras é toda dele e eu o vejo em brasileiro mestiço e puro aos saltos, com a força de quem se tatua, sendo a tatuagem uma ilustração do pensamento e da perícia de que é capaz. Seu poema é feito de uma “sobra de sentido”, como aliás, matutando bem, toda a boa poesia é feita assim, se desenvolvendo depois, além, pelos leitores espertos. Quanto à “Baldeações”, o poema é duro, impertinente, necessário. É de roldão. É um manifesto, ou melhor, “foi escrito berrando” em alto e bom som, ou mesmo no som que arranha. Incrível o seu domínio do português, de um palavreado inusitado e surpreendente com palavras de pouco uso. Me lembrou de Guimarães Rosa, tem o clima de Lavoura arcaica de Raduan Nassar. O livro, feito de uma “linguagem elaborada” com a precisão de asa, de um vôo, pede releituras, pois tem de tudo um pouco: do riso à cicatriz! Esse prólogo, portanto, possui uma lógica que faz “mossa” em quem o leu – e relerá. 

 Armando Freitas Filho   

Primavera 2020

ISBN: 978-65-86526-53-0

129 pág.

 

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Gambiarras – Josep Domènech Ponsatí

Josep é Zé, ou finge tão completamente ser que o heterônimo brasileiro do autor catalão tem a petulância de proclamar: “conheço a língua/ demais da conta/ meu brasileiro é da roça…”. E quem há de negar que seja, que é? Zé é o que quiser, com seu ouvido perfeito de estrangeiro que estranha o que é familiar e deixa familiar o que é estranho.  

Tradutor de primeira linha do português para o catalão, com o embornal cheio da transcriação de escritores do naipe de Armando Freitas Filho na poesia e Clarice Lispector na prosa, Josep bebe até cair na língua fonte. “Bebinho”, palavra que claramente o agrada, tira o máximo proveito do fato de que já era trintão quando se apaixonou pela língua brasileira, esse português capaz de versos luminosos como “eu quase tive um piripaque/(paquerei o suicídio)”. 

Eu disse “proveito”? Disse, e provo. Todo poeta de verdade precisa ter com sua língua uma relação absurda. Deve conhecê-la e habitá-la como se ela fosse o corpo da pessoa amada e ao mesmo tempo, impossivelmente, precisa tomar dela uma distância de léguas ou quem sabe de anos-luz, suspeitando de cada vírgula, cada clichê ou gemido. Ora, quando se é um “gringo em pânico,/ degringolando”, meio caminho está andado de saída. Conheço poucos poetas brasileiros capazes de um “escrevi rapidola”. É com susto e gratidão que lemos esse verso e nos damos conta de como é imprescindível. 

Josep se faz Zé diante dos nossos olhos, página por página, como o penetra do ménage à trois de um dos seus poemas, que chega se sentindo estranho e acaba ficando para sempre. O cara recorta, desapropria e alitera, cheio de trocadilhos, iluminações e sacanagens de poeta dito marginal, para compor o idioma próprio em que finalmente, para além do riso, já não podemos nem queremos fingir que não o vemos sangrar a dor que deveras sente.  

De Sérgio Rodrigues 

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