Cart

Best Seller

Os Acampamentos Insustentáveis

0 out of 5 based on 0 customer ratings
0 classificações Adicione sua classificação
Disponibilidade: Em estoque

R$ 44,90 R$ 34,90

 PRÉ-VENDA

Sendo mineiro, Anelito de Oliveira é um articulador de silêncios. E é isso o que ele evidencia em cada texto deste livro, a existência duma rude ruptura na tessitura do diálogo social, reflexo talvez da ruptura individual. Cada uma das obras que compõe esta obra busca, com uma diluída urgência [e este seria nosso primeiro ato político verdadeiro], recuperar o lugar dedicado ao silêncio, ou seja, o lugar da escuta, via de acesso às 8 bilhões [no atual momento desta massa geóide] de probabilidades lógicas de manifestação da subjetividade humana.  

E o que é a literatura [e a psicanálise] senão escuta? 

É dela que emergem os acampamentos impossíveis. É nela que se abre o lugar daquele que resgata a trajetória da narrativa da sua própria história, no entorno de outras histórias, alvejadas de silêncios, in-traditos, não questionados, interditos. E outros mistérios, os quais adentramos na lapidação diária do significante, a palavra. 

 

A Palavra Ampla 

Tudo era muito limpo, excessivamente limpo, a ponto de materializar a obsessão. Alguém obcecado com a pureza – morava ali. Era uma espécie de condomínio. Duas quase-casas entrelaçadas, uma para um lado, outra para o outro. À frente deste, duas kitnets, supostamente barracão – palavra ampla, abarcadora. Em meio a estas e aquelas, um corredor levando à casa do dono de tudo, o exigente. Exigia disciplina, respeito e, claro, pagamento em dia. Nada de som alto. Nada de liberdade. Não havia lado de dentro. Tudo era visível – uma vitrine. Não coubemos ali. Éramos muitos, uma multidão. Apesar de apenas três. Menos que três. Vazamos delicadamente, como sombras. Restou a rua.

Inverno 2019

ISBN: 978-65-80103-40-9

150 pág.

Quantidade :

Anelito de Oliveira

Anelito Pereira de Oliveira é mineiro, nascido em Engenheiro Navarro, em 1970. É o criador e editor do Jornal Não, destinado à publicação de poesia, crítica e tradução, assim como do selo Orobó, surgido em 1997, numa tentativa bem-sucedida de criar um novo espaço para as publicações literárias em Minas Gerais, permitindo que estas estivessem em constante diálogo com publicações oriundas dos países da América Latina. Este selo é responsável pela publicação de revistas literárias e livros. Entre 1999 e 2002, foi editor do Suplemento Literário Minas Gerais, dando continuidade a uma tradição de mais de trinta anos. O projeto de execução deste periódico foi imaginado por Murilo Rubião, poeta mineiro, que foi também seu primeiro editor. O Suplemento é editado pela Secretaria da Cultura do Estado e é sem dúvida uma das mais importantes publicações do país no que se refere à produção literária, assim como se concretiza como um espaço de surgimento de novos poetas.

Anelito de Oliveira publicou Lama, seu primeiro livro, em 2000. O autor o define como um “poema longo-curto: longo pela intensidade imagética, curto pelo número de palavras”. O próprio autor, assim como alguns críticos, menciona o diálogo existente entre Lama e a obscuridade de Mallarmé ou a perturbação do sujeito como aparece em Fernando Pessoa. Em 2004, lançou Três Festas/A Love Song As Monk, no qual, nas palavras de Wilmar Silva, “o poeta explora com veemência o estado complexo do ser humano mergulhado em si e em seu espaço”. Anelito escreveu ainda ensaios sobre Machado de Assis, Cruz e Souza e alguns poetas contemporâneos.

(informações no portal Literafro no site da UFMG)

Avaliações

Não há avaliações ainda.

Seja o primeiro a avaliar “Os Acampamentos Insustentáveis”

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Carregando...
Mande um recado pra nós.