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O ladrão de vacina

Dentro da literatura, o francês Maurice Leblanc criou, há mais de um século, um personagem fantástico chamado Arsène Lupin, o ladrão de casaca, um ladrão cavalheiro, gentil e elegante. Esta narrativa nos empolgava, porque o personagem roubava dos ricos com extrema elegância e, de alguma forma, nos fazia sentir vingados contra a Casa Grande. Por isso, saboreamos até hoje a obra de Maurice Leblanc.

Durante este século, o Brasil criou o ladrão de vacina. Diferente de Lupin, este ladrão não rouba dos ricos e não é elegante, é estúpido, grosseiro, ignorante e rouba a vida dos pobres. Mais de 530 mil brasileiros foram mortos, porque o ladrão de vacina não podia perder a oportunidade de superfaturar o imunizante contra covid-19. Roubar em cima da saúde do povo, da morte e do genocídio é algo abjeto. Este ladrão afirma em todos os lugares que não é corrupto, mas rouba vacina.

Outra diferença é que Lupin trabalhava sozinho e era um gentleman, vestindo casaca, cartola e monóculo. Já este nosso ladrão de vacina é vulgar, usa sandálias fajutas e come pão com leite condensado.

Pão com leite condensado é puro gourmet que poucas pessoas sabem apreciar. Crianças gostam desta iguaria, bem como adultos que ainda não superaram a fase anal e que são infantilizados. Isso porque este prato tem um sabor de infância, que relembra ao nosso ladrão aquele período anterior a se tornar corrupto, fascista e genocida. Pão com leite condensado o lembra, de alguma forma, de quando ele ainda podia brincar de fantasias e imaginações, antes que a psicopatia tomasse conta de seu ser.

Além disso, ao contrário do ladrão de casaca, o ladrão de vacina não age sozinho. Há diversos ladrões de vacina, uma quadrilha completa entranhada no Ministério da Saúde. Este bando é tão grande que não dá para saber onde está a raiz desses roubos. Vale ressaltar que negar uma vacina para poder ganhar dinheiro com outro imunizante é roubo, é crime.

Destaca-se o fato de que envolvidos nesta quadrilha, culpados ou não, surgem os militares. Com a CPI da covid, veio à tona o envolvimento de um general, dois coronéis e dois tenentes-coronéis envolvidos na compra superfaturada de uma vacina, apenas no Ministério da Saúde. Sob o comando do ladrão de vacina, ao todo, são 10 mil militares mamando nas tetas do governo.

Apenas no Ministério da Saúde cinco militares emergiram como objeto da CPI da covid-19. Com certeza, serão encontrados mais envolvidos implantados em todos os outros Ministérios e departamentos do governo. Quantos ladrões de vacina existem?

É realmente vergonhoso para o Exército, que mantém sua gloriosa reputação, ver cinco nomes de altos oficiais envolvidos no superfaturamento de vacinas. O Exército não precisava passar por isso.

Entretanto, é importante que as Forças Armadas passem por isto, pois nenhum dos crimes cometidos de 1964 até hoje foi apurado, nem mesmo a bomba do Riocentro em 1981. Neste caso, o inquérito foi encerrado antes de se chegar a alguma conclusão e assim permanece. Da mesma forma está a investigação sobre Augusto Aras, Procurador-geral da República. As investigações não progridem, porque a Casa Grande só permite seu andamento enquanto tiver o controle do poder.

Se o romance de Leblanc era popular, o romance do ladrão de vacinas é antipopular, elitista e faz o viés da Casa Grande. De qualquer modo, ladrão de vacina é um título que cola muito bem, além de genocida, fascista, nazista, estúpido e tudo do que já foi chamado.

Diante de tudo isso, não se esqueça: dia 24 de julho vamos às ruas novamente, todos juntos e com muito mais gente, contra o genocídio.

2 thoughts on “O ladrão de vacina

  1. Excelente essa reflexão de Benvindo Siqueira . Ao roubar nas vacinas mantém o gozo perpétuo da morte do Outro . Que Brasil triste !!! A História irá marcar tudo o que acontece em retrato de um período de trevas .

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