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Resenha: Coliseu Tropical

Em Coliseu Tropical, Viegas Fernandes da Costa reúne alguns dos seus melhores poemas sobre a atualidade. Dono de uma verve afiada que consegue captar e poetizar, de forma contestadora, a realidade brasileira e, como um flâneur que observa os vários problemas dela, denuncia a injustiça e a desigualdade social, o sofrimento das pessoas mais pobres e como são vítimas de um sistema que perpetua a pobreza, a miséria, etc. Poemas bastante atuais que desafiam o leitor comum de poesia, são poemas epigramáticos que transitam na prosa, na crônica urbana, no microconto poético e no aforismo, que, por sua vez, nos lembram de grandes poetas como Mário Quintana, Manoel de Barros, Carlos Drummond de Andrade, Manoel Bandeira, além da verve amarga de um Álvaro de Campos, a persona de Fernando Pessoa. Mas Viegas tem estilo próprio, um modus operandi incisivo e sintético de que se utiliza para compor seu manifesto contra a superficialidade e o artificialismo da sociedade moderna, fazendo um contraste temporal do espaço entre o passado e o presente. Poemas que, como como bisturis, expõem nossas vísceras, as injustiças e desigualdades urbanas, as mazelas e a violência cotidiana estampadas com total indiferença nos jornais de sangue, pois nossa hipocrisia faz apenas maquiar a realidade, transformar pessoas que morrem todos os dias em números sem rostos, sem identidades, índices vazios de vida, vidas trancafiadas em contêineres, além da nossa indiferença sobre questões ecológicas. Viegas faz tudo isso de uma maneira que nos leva a contemplar a própria beleza do poema, as lembranças da relação do homem com a natureza, um mundo mais simples e mais humano, até mesmo um deus mais humanizado, além das coisas boas que guardamos na memória.  

C. O. Rocha

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