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Sergio Moro entra no ‘vestibular’ da terceira via – Coluna do Milton Alves

por Milton Alves

As lideranças dos partidos da velha direita neoliberal continuam a busca desesperada por um candidato para chamar de seu. A chamada terceira via agora mira no ex-juiz e ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro, Sergio Moro. O líder do lavajatismo é o mais novo nome que entra na fila do vestibular da terceira via, que tenta construir uma candidatura alternativa para enfrentar Lula, na dianteira de todas as pesquisas eleitorais nos últimos meses, e o presidente Jair Bolsonaro –, desgastado, mas com um apoio oscilando em torno de 30% do eleitorado. Ambos lideram a corrida presidencial para 2022.

A polarização do eleitorado na direção dos extremos do espectro político, representado pela esquerda por Lula e na extrema direita por Bolsonaro, é um fator objetivo, que tem bloqueado o surgimento de uma candidatura competitiva da velha direita neoliberal. Até o momento prevalece uma grande divisão entre as principais legendas que compõem a terceira via: PSDB dividido entre os governadores João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS), os dois com raquíticos índices nas pesquisas; o ex-ministro Mandetta e o presidente do Senado Rodrigo Pacheco não empolgaram o DEM, que prepara uma fusão com o PSL, uma das legendas integradas por bolsonaristas. O MDB também segue dividido e parte das lideranças do partido na região Nordeste namora com o ex-presidente Lula. A senadora Simone Tebet (MDB-MS) é um dos nomes que pululam na terceira via. O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) patina na 3ª via e tem radicalizado o seu discurso antipetista, a tática não resultou em crescimento nas pesquisas.

A tentativa de resgate político de Sergio Moro é uma sinalização das dificuldades para viabilizar, por ora, uma candidatura “nem, nem” dos velhos partidos da direita liberal e de seus patronos no mundo das altas finanças e do baronato que controla as principais corporações de mídia do país. As pesquisas apontam que Sergio Moro, apesar de ostentar determinado nível de popularidade, perdeu força e, na medida em que foram aparecendo os crimes e as mazelas da Lava Jato, sua reputação foi minguando, construída no bojo de uma gigantesca farsa judicial e de operações selvagens de lawfare — tendo como alvo principal o ex-presidente Lula, que amargou uma injusta prisão de 580 dias e foi proscrito da disputa eleitoral de 2018. A aposta da terceira via em Moro significa a continuidade da agenda neoliberal do “combate” à corrupção, uma arma para enfraquecer o papel do Estado nas economias dependentes da América Latina — uma ação política impulsionada pelo governo estadunidense por meio de suas agências atuantes nas áreas de inteligência, segurança, justiça e de guerra comercial. Além disso, o legado da Lava Jato no plano político foi o favorecimento da ascensão da extrema direita ao governo com Jair Bolsonaro; na economia, desestruturou setores inteiros da indústria nacional – cadeia do petróleo e gás, construção pesada e da indústria naval -, gerando desemprego e a desnacionalização desses segmentos econômicos.

Resta saber se as maquinações da velha direita e do andar de cima prosperam no atual cenário marcado por uma crise econômica, social, institucional e sanitária sem precedentes, que demanda um novo rumo ao país. Moro, antes de viajar para os Estados Unidos, anunciou que vai decidir sobre o seu futuro político no próximo mês de novembro. O Podemos e o DEM já ofereceram suas legendas para as pretensões presidenciais do ex-juiz. Sergio Moro aparece nas pesquisas oscilando entre 4% a 8%, em algumas chegou a pontuar 10%. Sem a toga e a demagogia justiceira, na arena aberta da política, Moro vai enfrentar o julgamento popular — o mais implacável e democrático. Antes, precisa enfrentar o vestibular da terceira via.

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