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Pandemônio – Edson Cruz

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PRÉ-VENDA – disponível segunda quinzena de novembro (dia 30)

 

Pandemônio é uma das primeiras manifestações literárias que li provocadas pela ou no contexto da pandemia que vem transformando 2020 em um daqueles cronônimos capazes de impactar […] O poeta Edson Cruz tem muita consciência desse tempo presente que o marcou: ele e sua família enfrentaram o COVID-19, conheceram os percalços da contaminação, sobreviveram. Existe em Pandemônio, portanto, uma tensão forte sobre o momento, o instante, a conjuntura de um corpo e de um lugar alterados e ameaçados pela intrusão. O poeta descobre, como se houvessem acendido um holofote à sua frente:

não há lugar seguro para a vida

                        no mundo          (“Refúgio”)

É isso: o mundo, que deveria abrigar a vida, que antes servira para nutri-la e expandi-la, é agora uma zona de perigo, uma área de exclusão. […]

Ocorre que o poeta – mais ainda, por ser poeta – não fica alheio às cintilações de uma recuperação: no plano pessoal, espera-se a cura; no entanto, é no plano bem mais vasto da esperança que ele vislumbra uma via de escape. Em Pandemônio, logo se percebe a pulsão do contingente sendo paulatinamente trocada pela transcendência. […]

Felipe Fortuna (poeta, crítico e diplomata), na apresentação.

 

“Um livro para ler, reflectir, rezar e encommendar a alma, ou para sentir cheiro de enxofre, caso o leitor prefira a proximidade mais gravitacional…”

Glauco Mattoso

 

PANDEMÔNIO

 

as garras da noite infiltraram-se

sorrateiras

na hesitante luminosidade

dos dias.

 

a lição que nos ensina

com seu manto de névoas

não será fácil assimilar.

 

em tempos de trevas

mitologias e religiões confundem-nos

ainda mais.

 

os sonhos foram expulsos

e le cheval noire de la nuit encarcera

todas as imagens luminosas.

 

o que engendramos em vigília

já não inspira qualquer transcendência.

 

pode ser que não sejamos mais humanos

e alguma mutação ôntica já tenha

se instaurado.

 

talvez não seja mais possível zombar

da multidão de deuses

nem esquecê-los.

 

quiçá tenhamos de lhes fazer libações

para domesticar a legião de demônios

que despencou dos palácios de Satã.

 

o que se instaurou sobre nós

é o informe Caos à espera

de algum demiurgo.

 

uma símile corrompida do Paraíso Perdido

com versos que eliminaram

qualquer possibilidade

de redenção.

**

OROBORO

 

apesar de já conhecer

o fim da jornada

volto-me sobre mim mesmo

como quem não quer nada

e perfaço distraído

todos os momentos

da viagem.

***

CÉU DE VAN GOGH

 

as estrelas cintilam

alheias

à miséria dos seres.

 

Primavera 2020

ISBN: 978-65-86526-54-7

116 pág.

 

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Edson Cruz

Edson Cruz é baiano de Ilhéus, poeta e prosador, foi cofundador e editor do histórico portal de literatura Cronópios e, atualmente, do site Musa Rara (www.musarara.com.br).

Felipe Fortuna nasceu no Rio de Janeiro, em 1963. É poeta e ensaísta. Estreou em 1986 com o livro de poemas Ou vice-versa. Desde então, publicou outros livros – mais recentemente, Esta poesia e mais outra, em 2010, de crítica literária; A mesma coisa, em 2012, O mundo à solta, em 2014; Taturana, em 2015; O Rugido do Sol, em 2018, todos de poesia. E a tradução do longo poema inglês “Briggflatts”, em 2016. Diplomata de carreira, já serviu em dois períodos diferentes em Londres, e ainda em Caracas e Moscou. Foi professor de Linguagem Diplomática do Instituto Rio Branco (2009-2018) e é atualmente embaixador

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