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Solfejo de Cores – Leonardo Bachiega

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UMA MARÉ QUE SE COLA À LÍNGUA 

É uma alegria imensa poder escrever sobre a obra de Leonardo Bachiegaarquitecto e, muito possivelmente, um dos grandes nomes da moderna poética brasileira. A sua obra vem, paulatinamente, a construir-se, a desconstruir-se, a se humanizar cada vez mais, num discurso poético belíssimo, visceral, luminoso, mas também com a sombra que toda a poesia verdadeira deve ter.  

O seu mais recente livro de poemas, Solfejo de cores, é uma maré que se cola à língua. Uma maré que dialoga com o trabalho de outros autores, numa samplagem e num solfejo de cores bastante original, criando um retalho de criação e de palavras muito interessante. É evocado o trabalho de e. e. cummingsUngaretti, mas também de Raul Bopp e da sua Cobra Norato, especialmente na primeira parte do livro, “fio irmão”. Talvez esse solfejo de cores / ou esse fio irmão seja essa cobra da floresta, com muitas cores, mas também com os pequenos escuros que a fazem esconder na penumbra. E é de um diálogo entre a penumbra e a mais amorosa luminosidade que é feito este livro. A ausência que é feita de presença. O pranto que se reflecte nos elementos naturais e a naturalidade das árvores, das flores, das montanhas e das águas que se reflecte nas palavras. De uma certa forma, a poesia de Bachiega lembra-me a palavra nocturna dos místicos, como São João da Cruz, que vivem a melancolia, a noite, a madrugada antes do mergulho sereno e sofrido na mais bela alba / alva. E alba é aqui uma palavra que está presente de uma forma consistente. E também Caeiro como no conjunto de poemas “reflexões sobre o ruído de caeiro e mundo lento”. 

A poesia de Bachiega é uma poesia de ausência. Uma ausência que, talvez, se traduza numa presença fortíssima. E não só da linguagem e da figura do poeta, mas também do humano que se faz nessa ausência e que se questiona cada vez mais a sua humanidade e o seu temor / amor perante a paisagem, paisagem essa que é o Aberto de Rilke. Este livro é o Aberto de Rilke que nos questiona sempre através da linguagem e da expressão da existência. 

A poesia de Bachiega é uma poesia da natureza, mas de uma natureza que une a morte com o vôo das aves: “Meu desejo dormir e acordar / em um cemitério marinho”, que alimenta as pombas, mas que também alimenta o coveiro. Uma poética que abre a noite e o cemitério, mas que nos restitui à luz que a pomba nos entrega. Uma pomba que, talvez, habite, uma janela demorada junto à amurada do abismo, mas que sabe que, só através do amor e da Amada, do silêncio e da paisagem, pode escrever o mundo com verdade.  

Jorge Vicente 

Primavera 2020

ISBN: 978-65-86526-74-5

120 pág.

 

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O seu mais recente livro de poemas, Solfejo de cores, é uma maré que se cola à língua. Uma maré que dialoga com o trabalho de outros autores, numa samplagem e num solfejo de cores bastante original, criando um retalho de criação e de palavras muito interessante. É evocado o trabalho de e. e. cummings, Ungaretti, mas também de Raul Bopp e da sua Cobra Norato, especialmente na primeira parte do livro, “fio irmão”. Talvez esse solfejo de cores / ou esse fio irmão seja essa cobra da floresta, com muitas cores, mas também com os pequenos escuros que a fazem esconder na penumbra. E é de um diálogo entre a penumbra e a mais amorosa luminosidade que é feito este livro. A ausência que é feita de presença. O pranto que se reflecte nos elementos naturais e a naturalidade das árvores, das flores, das montanhas e das águas que se reflecte nas palavras. De uma certa forma, a poesia de Bachiega lembra-me a palavra nocturna dos místicos, como São João da Cruz, que vivem a melancolia, a noite, a madrugada antes do mergulho sereno e sofrido na mais bela alba / alva. E alba é aqui uma palavra que está presente de uma forma consistente. E também Caeiro como no conjunto de poemas “reflexões sobre o ruído de caeiro e mundo lento” […]

Jorge Vicente

Leonardo Bachiega

Leonardo Bachiega, é arquiteto, urbanista, poeta e dramaturgo, nascido em São Paulo, hoje reside próximo à capital paulista. É autor de alguns livros de poesia e um dramaturgia possui poemas publicados em diversas revistas literárias do Brasil e Portugal. 

Fernando Pessoa é seu poeta da vida. 

Com a Kotter também publicou o Ácaros Que Depositam Flores (2019).

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