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O livro Cangaço, de Ronald Guimarães, oferece uma abordagem única e visualmente impactante sobre um dos fenômenos mais marcantes da história do Brasil. A obra não apenas revisita a trajetória de figuras icônicas como Lampião, Antônio Silvino e Corisco, mas também se aprofunda na construção da imagem do cangaço ao longo dos séculos, analisando como ele foi retratado na imprensa, na literatura de cordel, nas histórias em quadrinhos e na arte popular.
A frase “Cangaço é um mergulho visual e histórico na cultura do sertão” sintetiza bem o espírito do livro. Desde os primeiros desenhos rudimentares publicados nos jornais do século XIX até as sofisticadas ilustrações contemporâneas, a obra evidencia como o cangaço sempre foi fonte de fascínio, estudo e debate. As xilogravuras de capas de cordéis, as charges políticas e até os trabalhos de grandes artistas como Cândido Portinari são analisados em um contexto que vai além do simples registro visual, tornando-se uma reflexão sobre memória e identidade nordestina.
O artista Ronald Guimarães é um dos ilustradores que ajudaram a eternizar o cangaço, cuja colaboração com Robério Santos foi fundamental para materializar diversos projetos. A relação entre os dois se revela uma das forças do livro, mostrando como a fusão entre história e arte resulta em um resgate potente da cultura nordestina. Os traços marcantes de Ronald dão vida a personagens e cenas épicas, complementando a narrativa de maneira magistral.
A obra também enfrenta a polêmica recorrente sobre o cangaço: seria a arte sobre esse movimento uma glorificação do crime ou um estudo necessário sobre a realidade social da época? O livro não se esquiva dessa questão e defende que conhecer essa história é fundamental para entender as transformações do sertão, seus heróis e vilões, suas lendas e verdades.
Cangaço não é apenas um livro ilustrado, mas um trabalho de resgate e valorização da cultura nordestina. Com uma narrativa envolvente e uma curadoria visual impressionante, a obra se torna indispensável para estudiosos da cultura popular, apaixonados por ilustração e todos aqueles que desejam compreender a complexidade do cangaço para além dos estereótipos.
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O CANGAÇO E A ARTE – Robério Santos
“Ainda no século XIX, os jornais da capital da República, Rio de Janeiro, já colocavam em suas páginas desenhos de grupos de bandoleiros e outras representações relacionadas ao banditismo no Nordeste e em outras regiões.”
“Com a morte de Virgulino Ferreira da Silva, em 1938, a revista A Noite Illustrada começou a publicar aquela que seria a primeira história em quadrinhos sobre a vida de Lampião.[…] Desde então, os desenhos ilustrando o banditismo, o messianismo e os costumes do nosso sertão nordestino passaram a estampar as páginas de livros, jornais e até quadros famosos, como a magnífica série de cangaceiros de Cândido Portinari.”
“O universo do cangaço é gigantesco, e a ideia inicial de retratar esse fenômeno sempre foi tratada com ceticismo por alguns, que veem na arte sobre o cangaço uma apologia ao crime. No entanto, estudar não é aplaudir acontecimentos nefastos, mas sim manter viva uma história que jamais deve ser esquecida, seja nos livros, nos filmes, nas revistas em quadrinhos ou nos cordéis.”
“Ronald Guimarães, sem dúvidas, foi meu maior colaborador na arte de desenhar meus pensamentos para diversos livros e projetos inacabados. Hoje, nesta obra que tens em mãos, esse trabalho se concretiza fisicamente, o que me emociona profundamente.”
trechos do prefácio pelo escritor e jornalista Robério Santos
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Cangaço – artbook
Ronald Guimarães
21X29,70 cm
ISBN 978-65-5361-410-9
120 páginas
R$ 74,70 R$ 52,29