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Ao Kurnugu, Terra Sem Retorno – descida de Ishtar ao mundo dos mortos

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PRÉ-VENDA

O poema acádio que aqui se apresenta em edição bilíngue, conhecido como Descida de Ishtar ao mundo dos mortos, foi conservado em duas tabuinhas de argila, escritas em cuneiforme, pertencentes à biblioteca do rei assírio Assurbanípal (685-627 a. C.). Tendo sido composto no início do primeiro milênio antes de nossa era, nele confluem tradições semitas e sumérias que remontam ao terceiro milênio, envolvendo a viagem da deusa Ishtar (em sumério, Inana) ao mundo subterrâneo dos mortos – o Kurnugu – e sua surpreendente volta dessa “terra sem retorno”. 

A relação com a produção mais antiga não supõe demérito, pois no processo de recontar velhas histórias novos sentidosempre emergem. Sendo Ishtar a deusa ligada à sexualidadesua descida tem consequências de duas ordens. De um lado, implica o fim da libido sexual que impede a humanidade e os outros animais de sucumbir ao aniquilamento enquanto espécie. De outro, já que à descida da deusa segue seu retorno, a vida prevalece e relativiza-se a absoluta separação entre vivos e mortos, pela instituição de festas a estes dedicadasO que se celebra, portanto, é a sucessão das gerações tanto em termos dos corpos, quanto da memória. 

A tradução pioneira em língua portuguesa, feita diretamente do acádio por Jacyntho Lins Brandão, é acompanhada de estudo sobre aspectos linguísticosliterários, mitológicos e culturais do poema. Assim, o leitor poderá ter acesso a uma das obras mais refinadas da civilização mesopotâmica antiga, em que se plasmaram, ao longo de milênios, muitas de nossas crenças e de nosso imaginário. 

Fica, portanto, o convite: uma viagem poética às origens, que dizem muito do que somos, e a experiência de um retorno que, se espera, nos faça mais humanos. 

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Jacyntho Lins Brandão

Jacyntho Lins Brandão é professor emérito de língua e literatura grega da Universidade Federal de Minas Gerais e membro da Academia Mineira de Letras. Doutor em letras clássicas pela Universidade de São Paulo, foi professor visitante da Universidade de Aveiro, Portugal. Autor, dentre outros, de A poética do hipocentauro (2001), A invenção do romance (2005), Em nome da (in)diferença (2014) e Antiga Musa: arqueologia da ficção (2015). Traduziu do grego Como se deve escrever a história, de Luciano de Samósata (2009), e, do acádio, Ele que o abismo viu: epopeia de Gilgámesh (2017). 

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